quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Névoas Azuis

Era mais um alvorecer sutilmente encantador, ela me esperava debaixo de uma imensa árvore, senti o toque macio de sua pele ao abraçar levemente o seu corpo. De mãos dadas começamos a caminhar por trilhas dentro de um pequeno bosque. Tudo soava maravilhosamente de dentro dele, era como se todas as árvores, animais e insetos se movessem em uma perfeita harmonia que nos contagiava fazendo com que sentíssemos assim também, em perfeita harmonia.
Ela me olhava com um olhar sedutor  correndo entre as árvores com uma felicidade jamais vista e sentida, era como se ela estivesse ouvindo uma voz que a guiava por caminhos cheios de segredos, como se ela tivesse esperado ansiosamente por esse momento. 
Eu já não podia mais compreender o que fazia naquele lugar que me envolvia e confortava, mas que ao mesmo tempo fazia me sentir completamente descolcado, como uma alma que vaga em um espaço infinito.
Agora podia sentir apens um abraço frio, porém, ainda via o seu delicado rosto refletido em meus olhos. 
A noite chegava misteriosa, eu a chamava para que pudessemos voltar para casa, ela só sorria sem se mover, uma sombra cobria lentamente a sua imagem eu já não conseguia ve-la mais e um silêncio sepulcral tomava conta de tudo a minha volta, estava completamente perdido, não sabia o que fazer nem o que pensar, nunca mais conseguiria viver sem a parte que me completava, era um elo essencial para que houvesse vida na minha vida, só me resta me entregar a todos os alvorecer na tentativa de diminuir por instantes a imensa aflição que que arrasta por dias sem fim...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Cíclico


Sim! Eu
posso sair e entrar sem pedir licença.
Posso contrafazer o feito que desfeito se fez.
Contumaz e conturbado
provando todos os sabores inquietamente
com um leve desespero
procurando por um alento
que me leve para longe cada vez mais.
Longe do caos da vida
que se retorna de tempos em tempos!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Trans-fi-gu-ra-ção



A vida pode ser tudo ou nada em diversas circunstâncias. Todos os dias nascemos, morremos e voltamos a ter uma nova vida lúdica. Como um jogo que recomeçamos a cada fase perdida ou superada. As cartas são dadas em determinados momentos e temos que entrar na dança, esquecer o passado e nos renovar com uma nova linguagem, uma nova imagem. 
A vida às vezes pode ser hostil e exigir destreza dos jogadores que devem compreender que às vezes é necessário morrer para viver. "O destino principia, se acaba sempre em pó...", morrer e renascer mais forte, encontrar força na mais profunda fraqueza, nos amadurecer com a morte, decifrando sua multiplicidade. Ter um amadurecimento como o das frutas, aí você diz: - mas as frutas apodrecem! e nós também, acontece quando morremos para testemunhar a vida.




sábado, 25 de setembro de 2010

Desabafo


As vezes palavras só fazem mal, isso acontece quando os atos valem mais que certas palavras. Afinal de contas de que adianta falar uma coisa que não vai de fato se concretizar, e certas intenções, sejam elas boas ou não a gente pode ver no olhar, e isso se torna mais importante...

"Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

Ó céu azul ­ o mesmo da minha infância ­,
Eterna verdade vazia e perfeita!"


Lisbon Revisited

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Darling!!


"...Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo que os ares agita,

Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro.

Num laço de fita."


O laço de fita, CASTRO ALVES




Do telhado da casa só faltava sair fumaça, as ruas estavam monótonas, podia-se ouvir as folhas do calendário inquietamente querendo voar. Vontade de que o tempo passe rápido.
Ao entrar pela porta da frente, encontraria com ela.
E lá estava com o corpo meio deitado, apoiando um livro no queixo, as unhas solferinas tocavam a capa no ritmo da música.
"... here comes the sun".
Era mesmo estranha essa menina, mistura de anjo com diabo, de doce, amargo e azedo no final. Naquela tarde quente ela buscava em vão ficar plenamente tranquila com a calmaria que a cercava. Tenvava disciplinar os pensamentos mantendo-os no caminho preestabelecido, assim como uma locomotiva em seus trilhos.
Porém essa locomotiva andava meio desregulada, desnorteada, emitindo sons estranhos, e seus trilhos estavam soltos cheios de curvas.
Sentindo um sabor agridoce, bem do jeito que ela gostava, podíamos sentir saudade de nós mesma.