sexta-feira, 22 de abril de 2011

A hora mais silenciosa


 Desapegar, desgarrar, deixar-se e deixar ser...

Gastamos muito tempo buscando, encontrando e desencontrando amores e sabores, de repente como uma queda de energia nos vemos em uma necessidade de desatar todos os nós que nos aprisiona.
Deixamos de dar importância aos valores antigos fazendo com que eles se tornem lembranças agridoce e passageiras.
Restando apenas um observar sem sentir absolutamente nada, tornando-se indiferente a tudo. Não é medo, solidão, tristeza ou infelicidade, é apenas um corpo cansado na hora mais silenciosa.
É um sentar em uma varanda com o toque confortável da toalha após um banho e apenas observar o movimento da cidade ao longe.


Está naquela idade inquieta e duvidosa,
Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.
Machado de Assis


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Roleta Russa

Ouço o "clique", e não vejo à luz se acender.
Grito, canto, e não ouço a minha voz.
Deito em minha cama, e não sinto o meu corpo.
Calço as meias, e não sinto meus pés.
Inspiro, e não encontro o ar.

Puxo o gatilho, ouço o estalo
... mas estava sem munição...


quarta-feira, 2 de março de 2011

Quem me dera....


Hoje venho escrever neste blog com um sabor meio amargo, na tentativa de me sentir um pouco melhor ao terminar este texto. E como diria Clarice Lispector: Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever.
Como seria bom se pudéssemos ter o poder de atrasar o relógio, ou o calendário. Voltar à tempo em que os dias eram menos carregados de incertezas e infelicidade. Poder correr, sentir livre e sem preocupações. Acreditar que o ser humano não é mesquinho, que não é tão interesseiro. 
Quem me dera poder acreditar que seria sempre rodeada de amigos, no verdadeiro sentido da palavra. Que me tornaria uma pessoa forte e corajosa, que saberia resolver todos os embaraços da vida.
Ou então ter horas de descuido e encontrar a felicidade. Andar despreocupada pelas ruas, sentir a brisa da manhã, o calor do meio-dia e a nostalgia do fim da tarde, e ao chegar a noite deitar sem tristezas e com esperança de que o alvorecer será melhor.

"Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada"

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Talvez...

As vezes para que os nossos esforços sejam reconhecidos precisamos dar uma pausa, dar um passo para trás e fazer uma coisa de cada vez. Tentamos nos ocupar com mil coisas,  para elevar o conhecimento ou para descobrir a nossa verdadeira essência?
Nos descobrir, achar o que nos satisfaz é mais difícil do que se pode pensar, talvez porque não somos e nem seremos completos, porque a verdadeira perfeição não existe e alcançar a plenitude é uma virtude para poucos.
Escolher quem estará ao nosso lado, onde, quando e como. Dizem que pessoa é substituível, mas nunca será por completo. As pessoas passam deixam marcas em nós, o que faz com que elas sejam únicas, insubstituíveis. 
Exigimos muito, sentimos muito. Esquecemos o que está longe por valorizar muito o que está perto e vice-versa. E continuamos com o medo ao lado. Medo de ficar só, de ficar velho demais, chato, rancoroso, medo de ser infeliz sempre, medo de não ter o que oferecer e de não ter quem lhe ofereça consolo.
 Complicamos demais a vida, as vezes é preciso desligar o botão 'foda-se', as vezes é preciso desligar todos os botões!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ser(tão)

A manhã chega com uma mágia singela, sinto o vento me abraçando com um frescor que preenche cada pedacinho do meu ser. Ser esse que aparece e se esconde, se misturando com a vontade de ser mais e ter menos. Apenas ser!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Névoas Azuis

Era mais um alvorecer sutilmente encantador, ela me esperava debaixo de uma imensa árvore, senti o toque macio de sua pele ao abraçar levemente o seu corpo. De mãos dadas começamos a caminhar por trilhas dentro de um pequeno bosque. Tudo soava maravilhosamente de dentro dele, era como se todas as árvores, animais e insetos se movessem em uma perfeita harmonia que nos contagiava fazendo com que sentíssemos assim também, em perfeita harmonia.
Ela me olhava com um olhar sedutor  correndo entre as árvores com uma felicidade jamais vista e sentida, era como se ela estivesse ouvindo uma voz que a guiava por caminhos cheios de segredos, como se ela tivesse esperado ansiosamente por esse momento. 
Eu já não podia mais compreender o que fazia naquele lugar que me envolvia e confortava, mas que ao mesmo tempo fazia me sentir completamente descolcado, como uma alma que vaga em um espaço infinito.
Agora podia sentir apens um abraço frio, porém, ainda via o seu delicado rosto refletido em meus olhos. 
A noite chegava misteriosa, eu a chamava para que pudessemos voltar para casa, ela só sorria sem se mover, uma sombra cobria lentamente a sua imagem eu já não conseguia ve-la mais e um silêncio sepulcral tomava conta de tudo a minha volta, estava completamente perdido, não sabia o que fazer nem o que pensar, nunca mais conseguiria viver sem a parte que me completava, era um elo essencial para que houvesse vida na minha vida, só me resta me entregar a todos os alvorecer na tentativa de diminuir por instantes a imensa aflição que que arrasta por dias sem fim...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Cíclico


Sim! Eu
posso sair e entrar sem pedir licença.
Posso contrafazer o feito que desfeito se fez.
Contumaz e conturbado
provando todos os sabores inquietamente
com um leve desespero
procurando por um alento
que me leve para longe cada vez mais.
Longe do caos da vida
que se retorna de tempos em tempos!